quinta-feira, 2 de abril de 2026

#314 - Ter ou não ter...

Há algum tempo ouço que as religiões servem para "moldar" as pessoas, fazendo com que elas se tornem "servas" de um sistema que não permite um pensamento autônomo. Ao ingressar no espiritismo (kardecismo), aprendi que conhecimento é algo infinito e que devemos estar em busca, sempre, acompanhadas da boa moral e benevolência, mas sempre questionando as informações que recebemos. Em contraponto à Igreja Católica, surgiram as igrejas evangélicas, que ao invés de auxiliarem na pacificação e benevolência das pessoas, fez o que o catolicismo pregava em eras anteriores, ou seja, um verdadeiro atraso cívico.
E apesar de toda a religiosidade que temos no país, especialmente nas áreas mais pobres, a ausência de respeito, noção de cidadania e de limites em relação ao próximo, passam longe.
E onde quero chegar...!? A ausência religiosa, no sentido mais vivo da palavra trouxe uma sociedade que não se importa com o próximo, e muito menos respeita o espaço de convívio, impondo suas vontades e hábitos. E assim, vemos que uma religião viva e com propósito de (além da manifestação de fé) fazer com que tenhamos uma sociedade mais harmônica e respeitosa faz toda a diferença para todos nós.
¿Abraços!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

#313 - Uma vida sem cores

Mais de 6.500.000 de pessoas numa cidade e eu só, representando mísero 0,0000001485723166093896 da população.
O que está havendo que há tanta gente em volta e ao mesmo tempo, ninguém por perto?
Sou um cara que estuda, que frequenta bons eventos, que é "bem visto" perante a maioria das pessoas, mas que ainda sofre com a solidão, tanto na área pessoal quanto amorosa.
Estou vivendo numa sociedade com múltiplas doenças: seja pelo uso excessivo do celular; por transtornos psíquicos diversos; ou por buscarem o ser perfeito esteticamente, esquecendo que o caráter nem sempre é moldado junto aos aparelhos das academias.
Cultura, bom gosto, alegria pelo saber e conhecer, ética são atributos que estão em baixa. Graças aos aplicativos de relacionamentos, "sair" com alguém nunca foi tão fácil. Basta encontrar, transar, gozar e tchau. Mas "para que a aflição?", dizem alguns influencers que, além de bonitos, têm amigos e alguma vida social. Se for, de fato, a energia que a cartomante falou, já está mais do que na hora dela ser retirada de mim, pois sou muito a favor do que dizia Tom Jobim: "é impossível de se viver sozinho."
¿Beijos!

segunda-feira, 23 de março de 2026

#312 - O famoso PPB e a normatização da violência

 

Estava a caminho de um evento em Maricá, ainda dentro do ônibus fretado, quando, do lado de fora, vi um pedinte (de tantos que rondam pelo centro da cidade). Nada fora do comum em uma cidade grande, apesar de considerar imoral em qualquer sociedade dita "civilizada". Mas o que fugiu completamente do aceitável foi o comentário de um colega ao meu lado: “Preto, Pobre e Bicha. Quanta infelicidade numa pessoa só!”. Naquele instante, senti um misto de náusea e incredulidade. Não era apenas uma frase infeliz; era a exposição crua de uma mentalidade carregada de preconceitos.

Situações como essa me fazem refletir sobre o tipo de convivência que escolho manter. Sempre busquei tratar as pessoas com respeito, independentemente de suas condições sociais, aparência ou orientação. No entanto, nem todos compartilham desse mesmo princípio básico de humanidade. Quando alguém se sente confortável para verbalizar um pensamento tão discriminatório, isso revela mais do que uma opinião momentânea — revela caráter, valores e limites éticos.
O mais inquietante é perceber como esse tipo de comportamento ainda é naturalizado em certos ambientes. Muitos preferem rir, ignorar ou simplesmente seguir em frente, como se fosse algo menor. Mas não é. Comentários assim reforçam estigmas, desumanizam pessoas e perpetuam uma lógica de exclusão que já deveria ter sido superada há muito tempo.
Diante disso, entendo que não tenho o poder de mudar o outro, mas tenho total responsabilidade sobre quem desejo manter por perto. Escolher com quem conviver é, também, uma forma de posicionamento. Ao me afastar de pessoas que expressam esse tipo de pensamento, não estou sendo radical, mas coerente com os valores que acredito.
Esse episódio, embora desagradável, serviu como mais um filtro. Em um momento da vida em que busco relações mais saudáveis, baseadas em respeito, empatia e troca verdadeira, fica cada vez mais claro que não há espaço para convivências que me causam desconforto moral. Às vezes, o afastamento não é perda — é, na verdade, um ganho silencioso de paz e integridade.
¿Abraços!