terça-feira, 20 de janeiro de 2004

#14 – Diferenças e Divergências

Fico horrorizado toda a vez que assisto à televisão, notícias sobre a violência do ser humano contra si próprio. Não falo aqui da violência urbana, causada pelo caos social que alguns países estão inseridos, devido as várias políticas econômicas mal sucedidas, mas sim pela violência oriundas de "dogmas", "verdades", "crenças", enfim, por divergências de opiniões de superioridade imbecís. Apesar da imensidão do nosso planeta, o mundo é pequeno para quem não sabe viver nele e por isso mesmo, não devemos nos fechar em guetos específicos, tratando outros grupos como rivais. É o caso de um rapaz que conheci, e que tinha em si um mundo dividido entre héteros e homos, ao ponto de dizer para mim que não era homem. Expliquei-lhe que a questão sexual é uma coisa muito particular de cada ser humano e nem por isso devemos dividir o mundo. Fazemos, todos, parte de um mundo só. Diferenças existem, mas não quer dizer que não devemos compartilhar o mesmo mundo. O melhor exemplo para ilustrar isso, é a moeda, aonde tem duas faces diferentes que convivem em harmonia. Já imaginaram se aqui no Brasil todos resolvessem entrar em conflito por causa de questões: sexual, religiosa, time de futebol, escola de samba, política, classe social, regionalidade etc. Iríamos estar vivendo em eterno conflito... As divergência de opiniões são necessárias para o amadurecimento do ser humano interior e exteriormente, sem que elas precisem ser impostas como na época ditadorial, aonde tudo era feito às escondidas (se bem que escondidinho é mais gostoso!). Tento conscientizar, dia após dia, à minha ex-namorada Danielle e a minha amiga Janice, que não alterei meu jeito de ser e de pensar depois de ter-lhes dito que sou gay. Enfim, vivamos com as diferenças e divergências sem conflito.

terça-feira, 13 de janeiro de 2004

#13 – Tamanho é documento?

Caramba!!! Como tem gente com mente retrógrada em pleno século XXI. Observo que ainda existe muito preconceito com relação a aparência das pessoas, pondo em dúvida sua real capacidade de exercer uma tarefa ou assumir algum posto, ficando assim excluídas do mercado de trabalho ou à margem da sociedade. Raramente vemos pessoas (que até a pouco sofriam grande preconceito, como as mulheres e negros), principalmente as portadoras de deficiência, exercendo alguma função digna e gratificante para si próprio. Infelizmente, tal substimação da capacidade de "outrem" faz parte de uma cultura burra, aonde vale a máxima de que tais pessoas não são capazes de superar-se e sequer podem sobreviver sem a ajuda de alguém. Há um número ainda muito insignificante de casos, em que tais pessoas superaram suas próprias deficiências e ocupam funções e posições dignas de sua capacidade e gratificante para o próprio ego. É o caso de um engenheiro cego que trabalha na parte de informática do Banco Itaú. Aí, muitos perguntam: um cego na área de informática num dos maiores bancos do Brasil??? É isso mesmo! E qual o problema? Este é um exemplo, dentre muitos outros, de que não existem obstáculos que não possam ser superados. Tal exemplo vale inclusive para os não deficientes físicos - os deficientes que têm enrustidos na mente a idéia de manterem-se estáticos por não conhecerem suas próprias capacidades.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2004

#12 – Ser ou não ser...


Eitá frase capiciosa! Isso não se trata de trecho da obra do memorável William Shakespeare, mas sim de uma realidade vivida pela maioria dos visitantes deste modesto blog. Não falo aqui da questão de ser ou não homossexual, mas de como encarar estar realidade perante a sociedade e principalmente, os pais. Está aí uma questão muito delicada: como encarar nossa sexualidade diante dos pais? (não quero dizer com isso que devemos nos esteriotipar afim de mostrar a todos de nossa preferência sexual, pois isso é uma coisa muito pessoal do indivíduo. Até hoje não presenciei nenhum católico ou espírita saindo por aí dizendo a todos que tem para si a religião x ou y). É muito difícil para eles aceitarem tal condição do filho, tendo em vista que todos "investem" seus sonhos não realizados nas crianças, além da questão dos netos, bisnetos etc. Imaginem a frustração que eles não devem ficar quando recebem essa notícia? Com isso, a maioria de nós reservamo-nos ao direito de pôr o assunto de lado e continuar tocando a vida, evitando assim brigas, insultos e confusões desnecessárias, já conhecidas por alguns e ouvidas por muito de nós. Porém não quer dizer que nossos pais deixem de nos amar. Nesse momento, há uma mistura de sentimentos, tais como tristeza, frustração, além da sensação de que eles erraram em alguma coisa. As reações variam de família para família, mas é certo que o pai sempre é o mais rígido neste momento e a mãe a mais triste. Talvez seja por eles (os pais) amarem o filho "perfeito" segundo suas concepções e elas (as mães) amarem o filho gerado. Sem falar no clima que fica dentro de casa... Isso se dá por eles estarem inseridos numa sociedade hipócrita e "moralista" que finge não enxergar as pessoas como são, em seu íntimo, preferindo vê-las no grupo em que estão inseridas. Sair ou não debaixo dos lençois... Eis a questão.