segunda-feira, 14 de setembro de 2026

#318 - O valor da vida...

Nos últimos dias, estive em dois cemitérios. Primeiro, no Jardim da Saudade; no dia seguinte, no tradicional Cemitério São Francisco de Paula. Não fui necessariamente em busca de uma reflexão sobre a morte, mas ela acabou surgindo naturalmente diante do que encontrei.
Diante de contrastes entre um local e outro, encontrei uma semelhança que se "esconde" nas entrelinhas. A bela paisagem no Jardim da Saudade, em contraste com jazigos e mausoléus do São Francisco de Paula (uns em boa conservação enquanto outros em completo estado de  abandono).
Mas a reflexão não veio do contraste, mas sim da semelhança: a do esquecimento...
Há sepulturas monumentais, construídas quase como pequenos palácios. Algumas parecem querer desafiar o próprio esquecimento, como se seus responsáveis dissessem: "Esta pessoa existiu e não pode ser esquecida". Em determinados casos, a ostentação funerária chega a lembrar os antigos faraós, que construíam monumentos grandiosos para garantir sua permanência na história.
Ao mesmo tempo, algumas sepulturas permanecem deterioradas, cobertas pelo tempo e pela falta de cuidados. Nelas, talvez estejam pessoas que um dia foram profundamente importantes para alguém.
E é aí que a reflexão se torna mais incômoda.
Para que sepulturas e afins, para serem "abandonadas" em seguida, ou tendo seus símbolos esquecidos?
Depois que alguém morre, os vivos continuam vivendo: trabalhando, constituindo famílias, fazendo planos, enfrentando problemas, envelhecendo, criando novas relações, e inevitavelmente, morrendo.
Os cemitérios, deveriam ser, ao meu ver, como museus a céu aberto, onde cada tumba, cada jazigo, cada mausoléu conta uma história, das mais simples às mais sofisticadas. Mas o que eu vi, é um verdadeiro estado de abandono e descaso com os símbolos ali presentes.
Será que valeu a pena tanto investimento para sepultar e depois esquecer?
Óbvio que não é uma regra, haja vista que há famílias que mantêm seus mortos presentes durante décadas, visitando regularmente seus túmulos, conservando fotografias e objetos.
E eu não me coloco fora desse contexto de "abandono".
Tenho familiares enterrados em diferentes lugares. A família de minha mãe está ligada a Carapebus, no estado do Rio de Janeiro, onde estarei nos próximos dias. Já a família de meu pai está em Londrina, no Paraná, onde minha convivência com meus avós paternos foi muito menor.
Isso mostra que a distância também interfere na maneira como preservamos nossas relações com aqueles que partiram. Nem sempre o abandono de uma sepultura representa abandono afetivo. Às vezes, representa apenas a passagem do tempo, a distância ou a transformação das próprias relações familiares.
Talvez seja por isso que um cemitério diga tanto sobre os vivos.
Uma sepultura impecavelmente cuidada não necessariamente significa que exista uma lembrança intensa por trás dela, mas convenhamos que um cemitério organizado transforma-se num museu a céu aberto.
Mas vale lembrar que 
memória e monumento são coisas diferentes.
No final das contas, não estaremos presentes para saber se alguém cuidará de nossa sepultura, levará flores ou lembrará nossa data de nascimento. A preocupação com o túmulo pertence aos vivos.
¿Abraços!

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

#317 - Não existe maturidade quando se trata de amor.

"Tudo era apenas
Uma brincadeira
E foi crescendo
Crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim
Completamente seu..."

Não tenho como começar esse post sem lembrar da música "Sonhos" cantada por Peninha. E foi assim que começou, quando num dia como outro qualquer, no fim do expediente, seu sorriso me cativou e após um breve bate papo, combinamos o primeiro encontro para uma conversa mais formal e profissional. E entre uma frase e outra, algo me dizia que aquele era o começo de uma relação muito além de ser somente profissional. Fiquei intrigado com o que ouvi, pus-me a repensar em tudo que foi dito e a dúvida surgiu: era mesmo pra mim o "um dia nós vamos fazer isso"?
E depois vieram as visitas a minha casa... e mais uma vez, uma séria de frases que me fizeram ficar mais convicto de que ele realmente gostava de mim e eu me apaixonava cada vez mais.
Não resisti, me declarei, o assustei, ele voltou, mas o meu amor não acabou. E faço das palavras da cantora Kátia as minhas:

"Não está sendo fácil, 
não está sendo fácil.
Não está sendo fácil viver assim.
Você está grudado em mim."

E entre uma conversa e outra. novamente as indiretas, as promessas de um futuro aonde a prosperidade não se resume só pelo lado financeiro, mas também no sentimental. E não me resta outra alternativa senão esperar... Há quem diga:saia e busque o máximo de prazer com outros. Mas não existe maturidade quando há amor. E se há amor, há o respeito. Respeito ao meu corpo, ao meu sentimento e a ele. Surto, devaneio, ilusão, fantasia... não sei.
Só sei que estou muito apaixonado, choro sua ausência como a criança chora a ausência dos pais, meu coração dispara quando leio alguma mensagem sua, meu corpo treme quando ouço sua voz e fico sem palavras quando estou ao seu lado. Pergunto-me todos os dias, até quando terei que esperar.
Não! Não somos algozes ou vítimas um do outro, mas sim do destino. Ah, o destino.
Tão belo e tão perverso.
E não vejo música melhor para finalizar esse texto do que "Love of my life/ Queem".

Love of my life, you've hurt me
You've broken my heart and now you leave me
Love of my life, can't you see?
Bring it back, bring it back, don't take it away from me
Because you don't know what it means to me

Love of my life don't leave me
You've taken my love* and now desert me
Love of my life, can't you see?
Bring it back, bring it back, don't take it away from me
Because you don't know what it means to me

You'll remember when this is blown over
And everything's all by the way
When I grow older, I will be there at your side to remind you
How I still love you, I still love you

Hurry back, hurry back, don't take it away from me, because
You don't know what it means to me

Love of my life
Love of my life
Uhh... Yeah

¿Beijos!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

#316 - Solitude ou Solidão?

Muito se fala agora na solitude ante a solidão, para tentar diminuir a dor de quem vive só. E há quem traga "receitas milagrosas" para alterar esse estado de espírito, sendo que o que "parece fácil" não é tão simples, haja vista que vivemos numa sociedade complexa e cada vez menos tolerante e disposta a "dar a mão" para o outro.
O mais impressionante é que a maioria dos "influencers" que dialogam sobre solidão x solitude, são justamente caras bonitos, acima da média, e que arracam suspiros dos dois lados (homens e mulheres). Quando temos "opções" a nosso favor, em que podemos escolher com quem vamos sair, fica muito fácil discursar sobre a "necessidade" de ficar só. No meu caso, não se tratam somente dos relacionamentos amoros e/ou sexuais. Aliás, tive uma fase bastante "fértil" no que diz respeito a sexo, há quase 30 anos. Mas hoje, as "antigas" amizades não estão mais presentes. As máscaras caíram e muita gente afastou-se pelo espectro político, outros porque não tinham afinidade o suficiente para manterem uma relação fora das paredes laborais e outros, simplesmente "enjoaram" ou não sei o que dizer. Sempre fui um rapaz muito tímido, mas mesmo assim, frequentei ambientes como:  escola, cursinhos, clube, academia e por incrível que pareça, todos sumiram. E os que tem "alguma afinidade" comigo, moram bem distantes ou tem mais do que um parafuso a menos.
Está difícil, mas creio que, buscando explicações e fazendo a coisa certa, quem sabe não volte a ser uma pessoa interessante para pessoas interessantes e encontre aquele que vai caminhar comigo até os fins de nossos dias...!?
¿Beijos!

sexta-feira, 19 de junho de 2026

#315 - Satisfação e Prazer - A Arte de Amar e Trair

Por mais que eu veja isso de forma corriqueira, ainda não consegui absorver a traição como algo "normal" ou "moderno". Como pode alguém viver com outra pessoa, estar plenamente satisfeito com sua presença e ainda assim buscar "aventuras sexuais" com outras pessoas?
Posso ter muitos defeitos, mas uma de minhas maiores virtudes e que digo com muito orgulho é a fidelidade. Sim! Por mais que sinta atração ou coisa do tipo, nunca me entreguei a outra pessoa ,nem por aventura, enquanto comprometido. Já solteiro, saio e não me importo, mas comprometido, jamais me atrevo, inclusive por questão de saúde minha e de meu parceiro.
Voltando ao assunto que trata de amor e traição, não vou declarar-me puritano, até porque já sai com pessoas comprometidas e só fiquei sabendo da situação na hora H, mas certa vez sai com um conhecido de longa data e que me despertava interesse. O mesmo arrumou uma amante, casou-se e nosso contato ficou mais "apimentado" durante um tempo, quando ele descobriu minha opção por rapazes à moças. E então chegou o dia D. Nunca gostei de sair com pessoas casadas, ainda mais sabendo que assim o fazendo, faço parte de uma cumplicidade a qual eu não aprovo (o da traição), mas pelo tempo que estava sem sair com alguém, resolvi aceitar o convite. E para minha surpresa, o tão esperado "homem" com quem estava saindo revelou um lado que deixou-me surpreso. O seu lado feminino desabrochou com uma flor e mais surpreso fiquei em saber que era comum nas suas "puladas" de muro, ainda que esporadicamente.
Não estou aqui para criticá-lo ou coisa do gênero, apesar de minha surpresa, mas para relatar que apesar de satisfatório, não tive prazer, pois não estava com quem amo. Pois é! Acho que sou o último romântico e sairia plenamente satisfeito se estivesse com a pessoa amada, abraçando-a e dizendo frases que não seriam mentiras de um momento qualquer. Pois é! Ainda que solteiro, meu coração parece não querer desvencilhar-se de uma pessoa muito especial, pessoa esta que me faz brilhar ainda mais em tudo que faço. A menor possibilidade de sua ausência e de não ter sequer sua amizade me destrói por dentro. Já questionaram-me sobre essa "fidelidade" e fui bastante claro: "sou fiel aos meus princípios e as orientações que tive, nada mais". Se não o fosse, seria contraditório e de que valeria meu sentimento?
¿Beijos!

quinta-feira, 2 de abril de 2026

#314 - Ter ou não ter...

Há algum tempo ouço que as religiões servem para "moldar" as pessoas, fazendo com que elas se tornem "servas" de um sistema que não permite um pensamento autônomo. Ao ingressar no espiritismo (kardecismo), aprendi que conhecimento é algo infinito e que devemos estar em busca, sempre, acompanhadas da boa moral e benevolência, mas sempre questionando as informações que recebemos. Em contraponto à Igreja Católica, surgiram as igrejas evangélicas, que ao invés de auxiliarem na pacificação e benevolência das pessoas, fez o que o catolicismo pregava em eras anteriores, ou seja, um verdadeiro atraso cívico.
E apesar de toda a religiosidade que temos no país, especialmente nas áreas mais pobres, a ausência de respeito, noção de cidadania e de limites em relação ao próximo, passam longe.
E onde quero chegar...!? A ausência religiosa, no sentido mais vivo da palavra trouxe uma sociedade que não se importa com o próximo, e muito menos respeita o espaço de convívio, impondo suas vontades e hábitos. E assim, vemos que uma religião viva e com propósito de (além da manifestação de fé) fazer com que tenhamos uma sociedade mais harmônica e respeitosa faz toda a diferença para todos nós.
¿Abraços!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

#313 - Uma vida sem cores

Mais de 6.500.000 de pessoas numa cidade e eu só, representando mísero 0,0000001485723166093896 da população.
O que está havendo que há tanta gente em volta e ao mesmo tempo, ninguém por perto?
Sou um cara que estuda, que frequenta bons eventos, que é "bem visto" perante a maioria das pessoas, mas que ainda sofre com a solidão, tanto na área pessoal quanto amorosa.
Estou vivendo numa sociedade com múltiplas doenças: seja pelo uso excessivo do celular; por transtornos psíquicos diversos; ou por buscarem o ser perfeito esteticamente, esquecendo que o caráter nem sempre é moldado junto aos aparelhos das academias.
Cultura, bom gosto, alegria pelo saber e conhecer, ética são atributos que estão em baixa. Graças aos aplicativos de relacionamentos, "sair" com alguém nunca foi tão fácil. Basta encontrar, transar, gozar e tchau. Mas "para que a aflição?", dizem alguns influencers que, além de bonitos, têm amigos e alguma vida social. Se for, de fato, a energia que a cartomante falou, já está mais do que na hora dela ser retirada de mim, pois sou muito a favor do que dizia Tom Jobim: "é impossível de se viver sozinho."
¿Beijos!

segunda-feira, 23 de março de 2026

#312 - O famoso PPB e a normatização da violência

 

Estava a caminho de um evento em Maricá, ainda dentro do ônibus fretado, quando, do lado de fora, vi um pedinte (de tantos que rondam pelo centro da cidade). Nada fora do comum em uma cidade grande, apesar de considerar imoral em qualquer sociedade dita "civilizada". Mas o que fugiu completamente do aceitável foi o comentário de um colega ao meu lado: “Preto, Pobre e Bicha. Quanta infelicidade numa pessoa só!”. Naquele instante, senti um misto de náusea e incredulidade. Não era apenas uma frase infeliz; era a exposição crua de uma mentalidade carregada de preconceitos.

Situações como essa me fazem refletir sobre o tipo de convivência que escolho manter. Sempre busquei tratar as pessoas com respeito, independentemente de suas condições sociais, aparência ou orientação. No entanto, nem todos compartilham desse mesmo princípio básico de humanidade. Quando alguém se sente confortável para verbalizar um pensamento tão discriminatório, isso revela mais do que uma opinião momentânea — revela caráter, valores e limites éticos.
O mais inquietante é perceber como esse tipo de comportamento ainda é naturalizado em certos ambientes. Muitos preferem rir, ignorar ou simplesmente seguir em frente, como se fosse algo menor. Mas não é. Comentários assim reforçam estigmas, desumanizam pessoas e perpetuam uma lógica de exclusão que já deveria ter sido superada há muito tempo.
Diante disso, entendo que não tenho o poder de mudar o outro, mas tenho total responsabilidade sobre quem desejo manter por perto. Escolher com quem conviver é, também, uma forma de posicionamento. Ao me afastar de pessoas que expressam esse tipo de pensamento, não estou sendo radical, mas coerente com os valores que acredito.
Esse episódio, embora desagradável, serviu como mais um filtro. Em um momento da vida em que busco relações mais saudáveis, baseadas em respeito, empatia e troca verdadeira, fica cada vez mais claro que não há espaço para convivências que me causam desconforto moral. Às vezes, o afastamento não é perda — é, na verdade, um ganho silencioso de paz e integridade.
¿Abraços!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

#311 - Cansaço que me consome

Ele vive há décadas numa convivência obrigatória com o pai, uma pessoa que ocupa o espaço físico, mas não oferece troca, cuidado ou parceria. Não há violência explícita, mas há invasão constante de território emocional.
Ele não sofre por falta de capacidade, projetos ou disciplina — sofre por excesso de convivência sem vínculo, somado à ausência de amigos próximos e a um ambiente doméstico deteriorado.
O cansaço dele não é preguiça; é fadiga relacional crônica. A irritação não é pelo barulho, pela novela ou pelo hábito do outro — é por nunca conseguir desligar a sensação de estar preso num lugar que não escolheu e que não pode transformar.
Quando ele sai para estudar, viajar ou participar de eventos, melhora imediatamente, o que mostra que o problema não é interno: é contextual.
👉 “Ele não está infeliz consigo mesmo; está esgotado de viver sem espaço.”
Por ChatGPT.
¿Abraços!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

#310 - E daí...!?

A noite estava quente do lado de fora, fria do lado de dentro, o salão do palácio cheio, ao ponto de não haver lugares para as pessoas sentarem. Houve quem chegasse depois do horário previsto e não tivesse conseguido o exemplar do livro que estava sendo lançado. O Palácio da Cidade recebeu pessoas e só isso basta para definir quem frequentava o ambiente. E por ser essa (pessoas) uma definição bastante ampla (contém pleonasmo), pode se imaginar que tinham pessoas de todo o tipo, apesar de grande parte estar bem trajada para o evento, que ocorreu em um "palácio".
O seminário foi bacana, o livro em si foi um grande presente, os reencontros maravilhosos mas numa rápida pausa para fazer um breve registo do local e eis que me viro para pegar de volta para mim, o meu exemplar... cadê? Simplesmente furtaram meu livro, dentro do palácio, mesmo com o meu nome e telefone na penúltima página. Fiquei em choque e falei com algumas de minhas colegas presentes, no momento do ocorrido e simplesmente: "que coisa!". Poderia ter falado em alto e bom tom, questionado sobre o desaparecimento do livro que estava numa mesa atrás de mim, e por ter uma grande quantidade de figuras femininas por perto, poderiam ter tomado alguma atitude. E daí?
Então, no ponto de ônibus, onde poderíamos nós 3 (eu e duas outras colegas) embarcar numa mesma linha, apareceu uma jovem pedindo ajuda para recarregar (automaticamente) o cartão dela, enquanto que em paralelo uma linha alternativa apareceu, servindo à primeira colega e logo atrás, a linha que servia a todos nós, mas a ajuda para uma desconhecida estava em andamento. Após a ajuda, esta (desconhecida) embarcou em seu ônibus (para outro município) e as demais colegas já haviam ido embora. E daí que alguém pediu ajuda? E daí que eu fiquei sozinho? E daí que furtaram meu livro?
A sociedade reclama da ausência do humanismo mas não percebe que essa indiferença está arraigada em cada uma de suas vidas, também. E daí?
¿Abraços!

domingo, 21 de setembro de 2025

#309 - O que define uma verdadeira amizade?

Muita gente acredita que amizade se mede pelo tempo. Mas, na prática, não é bem assim. Há colegas de anos que nunca passam da superfície e há pessoas recém-chegadas que já parecem ter um lugar reservado em nossa vida. O que separa uma amizade verdadeira de uma simples conveniência não é a quantidade de tempo, mas a qualidade da troca.

Com o tempo, aprendemos que companhia não é sinônimo de amizade. Há pessoas que só nos procuram quando precisam de algo: seja para não irem sozinhas a um evento, seja para obter uma informação, seja para aproveitar uma oportunidade que lhes beneficie. Em situações assim, a relação se revela frágil, pois a presença não nasce do cuidado, mas do interesse.

Outro ponto revelador é a reciprocidade. Uma verdadeira amizade não se limita a bons momentos, viagens ou festas. Ela se mostra quando a vida fica mais silenciosa, quando não há glamour, nem vantagens imediatas. Se alguém só aparece na celebração, mas nunca na travessia, talvez não seja amizade — apenas conveniência social.

Também é na amizade que se testa o respeito pela identidade do outro. Quando há preconceito, julgamento ou tentativa de moldar quem somos, a relação deixa de ser porto seguro e se torna um peso. Uma amizade verdadeira acolhe diferenças, sem a pretensão de mudá-las.

Por fim, há o apoio mútuo. Não precisa ser constante ou diário, mas precisa ser real. É saber que, na hora certa, a pessoa está lá — não para resolver nossos problemas, mas para caminhar ao lado, com sinceridade e lealdade.

Amizade, portanto, não é sobre estar junto o tempo todo, nem sobre colecionar contatos. É sobre confiança, autenticidade e crescimento mútuo. E, embora esteja cada vez mais raro encontrar vínculos assim, quando surgem, fazem toda a diferença.

Porque amizade de verdade não se mede em anos — mede-se em presença, em respeito e em verdade.

¿Até!

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

#308 - Notícias que não (me) convém

 

Deixa eu te contar...
E assim começa mais um capítulo de uma conversa cujo assunto não é pertinente, não envolve o transmissor da mensagem, menos ainda o receptor, mas apenas terceiros, por simples incômodo ou opinião que não levam ninguém a lugar algum.
Algumas pessoas e em especial, uma velha amiga, têm esse péssimo hábito e algumas vezes já comentei: se não te envolve direta ou indiretamente, não interessa a mim, nem a ti.
Mas a necessidade de falar das pessoas (não públicas*) é algo inacreditável, como se a vida que nos norteia não fosse de muitos desafios diários.
E com o passar do tempo, percebi que essa é uma característica predominantemente feminina, seguida dos homossexuais masculinos e uma pequena parte de homens.
E daí vem a grande questão: o que as pessoas têm a ver com o que se passa na vida de "outrem"?
Não sou psicólogo e nem faço estudos sobre as relações humanas, mas já percebi que grande parte da humanidade tem um "fetiche" em observar a vida alheia. Não a toa, o Big Brother é sucesso em várias partes do mundo, filmes pornô também, o que nos faz concluir que há um interesse "intrínseco" em querer estar no lugar do outro. E quando o comentário não é positivo, é porque a pessoa enxerga no outro defeitos que ainda não conseguiu expurgar de si.
*Pessoas Públicas = políticos que são eleitos para trabalhar para a nação. Para esse público, nos interessa a vida profissional (e parte da pessoal) a fim de que atendam os princípios de moralidade, ética e respeito com os recursos públicos, oriundos de impostos das três esferas.
¿Abraços!

terça-feira, 19 de agosto de 2025

#307 - A atitude que envergonha o banquete

Sabe aquele momento em que tudo está bonito, servido com cuidado, mas alguém aparece com um prato que parece ter sido montado com pressa, desleixo ou gula? Pois é. O problema não é o prato — é a atitude. Mas, mais do que a atitude de quem exagera na porção no autosserviço (como se não tivessem outras pessoas em volta ou como se não pudesse voltar para continuar a saborear a refeição), é quando o(a) indivíduo(a) deixa mais do que "restos", demostrando uma falta de respeito enorme para com toda a sociedade: quem prepara a refeição, quem vai fazer a limpeza e principalmente àqueles que não têm o que comer.

O ambiente que deveria ser de troca, beleza, partilha etc. se transforma numa zona de caos e desrespeito, inclusive com quem está presente, pela disputa por comida, ignorando todos os protocolos de postura, etiqueta e bom senso. É o prato que destoa, o gesto que fere o coletivo. E, infelizmente, essa escolha não é individual, mas de um grupo que denuncia a falta de senso e educação.

Vivemos cercados de banquetes — oportunidades de convivência, beleza, afeto, aprendizado. Mas sempre há quem insista em transformar a própria travessa numa afronta ao todo. Talvez nem percebam. Talvez não se importem.

¿Abraços!

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

#305 - Fofoca, tô fora!

Um dos motivos que me faz manter-me distante de certos grupos é a "bendita" da fofoca: um veneno que escorre entre sorrisos. Além de ser uma praga silenciosa, ao se disfarçar de conversa leve, esta contamina relações, destrói reputações e vicia quem faz uso. Alivia momentaneamente o tédio de quem não tem assunto próprio, mas custa caro no longo prazo — em confiança, em credibilidade, em paz.

Por isso mesmo, sou "alvo" de tanta gente com desejo de "destilar esse veneno", sabendo que tem em mim, um porto seguro. Mas... o que me faz acreditar que, além de ouvinte, não posso ser autor, em outras rodas?

Não é à toa que me mantenho distante. Não gosto de me envolver com quem faz da vida alheia seu passatempo preferido. E, se me perguntarem por que evito certos grupos, direi sem rodeios: porque onde há muita fofoca, sobra ego e falta maturidade.

Fofoca é ruído. E eu prefiro o silêncio de quem respeita o outro a esse barulho sem propósito.

¿Abraços!

domingo, 8 de junho de 2025

#304 - Quem é ele?

 

🎭 Ele

Ele não grita. Não precisa.
Sua presença é feita de silêncio atento e olhar que atravessa.
É o tipo de homem que nota o trevo escondido no vaso esquecido — e sorri, como se o universo tivesse lhe mandado um bilhete em verde-claro.

Carrega uma barba branca elegante e um senso crítico que não tira folga.
Sabe o valor de uma boa conversa, de um vinho compartilhado, de um afeto que não exija manual de instruções.
Tem humor de quem leu muito, viveu mais ainda, e entendeu que rir é resistência — mas rir com inteligência é arte.

Ele não coleciona só selos.
Coleciona histórias, significados, pequenos milagres do cotidiano.
Sabe reconhecer beleza em coisas que os desatentos chamariam de bobagem: uma conjugação verbal bem feita, uma comida bem servida, um silêncio que acolhe.

Ele não busca diploma — busca sentido.
Não acumula por vaidade — acumula por legado.
Aprende com tudo: com o peixeiro, com a vizinha, com o vento da manhã.
Não se dobra a títulos vazios, mas se curva diante da sabedoria honesta.

Tem sede de conexão, mas não aceita migalha afetiva.
Sabe o peso do vazio e, por isso mesmo, só permite presenças que somem, não que apaguem.
Prefere um amor que desafie, que inspire, que o deixe inteiro — mesmo quando bagunça.

É um cuidador disfarçado de cronista.
Cuida de plantas, de pessoas, de detalhes que ninguém vê.
Organiza suas coisas com método, mas sem rigidez.
Respeita o caos — desde que haja propósito dentro dele.

Dorme pouco, pensa muito, ama fundo.
Questiona as próprias escolhas, ri das próprias manias, reconhece suas recaídas — mas não se rende ao comodismo.
Tem um pé na razão, outro na poesia, e o coração... esse vai na frente, como farol.

Ele é feito de entrelinhas.
Não cabe em resumo, nem se dobra a rótulos.
É guia e viajante, mestre e aprendiz, um homem que vive de verdade — mesmo quando tudo pede fingimento.

E mesmo quando ninguém vê...
ele segue.

Segue.

Porque dentro dele mora um chamado —
um daqueles que não grita...
mas pulsa.

(Resumo feito de várias interações com o ChatGPT, sem ausência ou falsidade nas informações passadas)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

#303 - Tiros na sombra

Onde eu moro não é constante, mas não é raro. Em algumas regiões da cidade, pode ser mais intenso ou menos, mas é certo a ocorrência. Há anos a história se repete... e nada é resolvido, mas vez ou outra, se cria um roteiro de novela.
A última vez que vimos essa "novela" foi no cerco ao Complexo do Alemão e a instalação das UPPs. Um verdadeiro circo! Policiais entrando por um lado, os bandidos (sendo filmados e televisionados) saindo pelo outro e nenhum cerco para prendê-los.
Com meus 51 anos de história, majoritariamente morando no Grajaú, e com uma breve passagem por Vigário Geral, ainda não me acostumei ao tiroteio que vez ou outra ocorre, sem que eu saiba o porquê. E longe de serem tiros de revólver, pelo som, as armas são de grosso calibre. Armas essas que eu já tive a infelicidade de presenciar, em vários pontos da cidade, nas mãos de civis, o que não me deixa nada confortável. E a polícia? Ah...! Essa (a instituição) não tem interesse em acabar com a violência que assola o povo carioca, senão perdem a "caixinha". Ou seja, a ganância acima da segurança e bem estar. E com pouca educação e conscientização, o "bando" de cúmplices só vai aumentando, sob risco de ter um e outro "CPF cancelado".
Eu, que moro "próximo" dessa guerra, cujo fim ainda há de vir, fico transtornado, penso: "e quem está do lado", literalmente? E as crianças, idosos etc.
E de quem é a culpa? Quando isso começou? Se estudarmos um pouco de história e do Evangelho de Jesus, entenderemos um pouco da origem disso tudo. Basta termos consciência e percepção para distinguirmos o joio do trigo.
¿Abraços!

 

segunda-feira, 3 de março de 2025

#302 - Na busca pela "cara" metade...

Há tempos que eu (e um batalhão de pessoas) está em busca de sua "cara metade". O que ocorre é que, com o avanço da tecnologia virtual (internet), a quantidade de opções que são dadas às pessoas é algo impossível de ser absorvida, assim como os canais de TV por assinatura, canais do YouTube, perfis do Instagram etc. E quanto mais ampliamos nossa mente, mais informações nos chegam.
Por não se tratar de informação e sim de um parceiro, o mínimo que as pessoas deveriam fazer é dar oportunidade de conhecer o outro, o que não é feito.
Já tive a satisfação de ter pessoas gostando de mim e até mesmo o de um futuro promissor (que foi "interrompido") mas a questão vai muito além... quando se procura nos aplicativos de encontros, a grande maioria só quer sexo casual e nada mais. Não sou contra, mas um café, um suco ou uma pipoca acompanhada de um filme, não seria tão ruim assim. Fora que, o uso excessivo da chamada "I.A." tem demonstrado que ela é burra, por mais claro que sejamos, ao aplicar filtros para conexão.
E o mais engraçado de tudo... pessoas muito bonitas, postando mensagens de "encorajamento" a se manterem fieis a si e incentivando a "solitude", com argumentos de que "é bom ficar só" ou se valorizar. É muito fácil para quem tem "todos" aos seus pés e não precisa de muito esforço para sair com quem quer que seja. Oras! Talvez esse seja o maior problema: o excesso de auto confiança, ignorando a possibilidade de conhecer a pessoa com o tempo e aos poucos e assim, fazer surgir um sentimento real e sincero, que acarretará num relacionamento mais duradouro.
¡Beijos!

domingo, 2 de fevereiro de 2025

#301 - Para o bem e para o mal

O ano era 1973, quando a tecnologia da comunicação deu um grande salto ao abolir o uso de cabos e fios, dando lugar às ondas eletromagnéticas, as mesmas usadas nos rádios (1895) e televisões (1923). E desde então, o avanço dessa tecnologia não tem parado mais. Do primeiro aparelho - Motorola DynaTAC 8000X (cujo peso superior a 1Kg em seus mais de 30 cm de altura), até os moderno iPhone - Apple, entre outros que tem espessura menor que a de um lápis e peso menor que 150g, houve uma evolução  do aparelho e em sua capacidade, em grau elevado a uma progressão geométrica tão encantadora quanto assustadora.

E a promessa de "aproximar" as pessoas foi por "água abaixo", com o avanço das funções que o aparelho passou a oferecer. O que era para encurtar distâncias, as aumentou ainda mais, pois cada aparelho atual representa um mundo individual da pessoa, que se fecha como uma ostra, absorvendo o que há de melhor ou pior que a internet pode oferecer e esquecendo-se da vida ao seu redor.

Mas não só de acesso a internet, os atuais telefones "encantam" as pessoas. Serviços dos mais diversos, que vão desde os de lazer até documentos oficiais dos governos, passando por jogos dos mais diversos,  além das funções de câmera e vídeo e aplicativos que "facilitam" a comunicação, deixaram as pessoas mais apáticas, mesmo num encontro formal, quando duas ou mais pessoas vão a um restaurante e cada uma fica "presa" em seu mundinho particular, deixando de dar atenção a quem realmente interessa. E pelo "excesso" de opções, as pessoas estão cada vez mais vazias em si e doentes, psicologicamente, deixando de existir e viver uma realidade mundana, para imergir no virtual e fictício. Vovó já dizia que tudo é permitido, mas o excesso prejudica, tanto no bem quanto no mal. O equilíbrio, é o que mais nos falta nos dias atuais e cada vez mais difícil está em lidar com "gente" que não se reconhece mais como tal.

¿Beijos!

sábado, 23 de novembro de 2024

#300 - Cansado de Ser Humilhado

Dia desses pensei no porquê de eu ainda estar desempregado (desde janeiro de 2020) e tentando, com muito sacrifício, criar uma empresa e mantê-la de pé, ainda que sozinho?
Apesar de estar sendo mantido pelo meu pai (o que eu não acho graça alguma), ainda que em contrapartida eu tenha que cuidar da limpeza da casa e conviver com alguém que só me "suporta" (o que faz com que o sentimento seja recíproco), desde que me conheço "por gente", gosto de minha independência total, inclusive a financeira.
E essa independência não se traduz em anarquismo, mas sim na libertada de ir e vir e de ter.
E desde então venho sendo questionado pela minha volta à CLT ou prestação de serviço para terceiros.
E eis que a resposta surgiu num de meus momentos de devaneios filosóficos: a humilhação!
Fazendo um retrocesso e pensando em todos os locais que passei, poucas foram as vezes em que fui reconhecido e não humilhado, ainda que me esforçasse por fazer o melhor e muitas vezes fazendo o melhor, mas sem aderir a um sistema longe de ser justo ou igualitário. E a humilhação ia além do ambiente de trabalho. Assunto para outro texto. Comecei minha vida corporativa numa empresa familiar e a humilhação vinha de um tio, que achando-se superior a todos, atrasava meu trabalho, como office boy. Em certa ocasião, onde fui designado a auditar e identificar onde funcionários "melhores do que eu" estavam roubando recursos da empresa, fui humilhado por outro tio meu e sua esposa por "não acreditarem no meu trabalho". Na sequência, encontrei uma empresa que muito ajudou no meu desenvolvimento profissional, mas que precisei sair, por ter objetivos maiores para a minha vida. Nas demais empresas, sofri um processo de "perseguição branca" por exercer bem as minhas funções. E foi assim até meu último emprego e mesmo quando trabalhei por conta própria, pois havia uma "perseguição sobre mim".
Sim! A humilhação me faz com que eu busque forças para trabalhar por conta própria e não fazer aos outros, o que fizeram comigo.
¿Abraços!

domingo, 22 de setembro de 2024

#299 - Ser bom dá trabalho!

 

Talvez esse seja um tema recorrente, mas no atual estágio em que me encontro, preciso falar das dores que sinto, por exercer o dever de ser bom. Dores pelo descaso das pessoas, pela ignorância de muitos e por entender que o mundo é complexo e que cada ser tem o seu tempo evolutivo.
Sim! Ser bondoso não é tão fácil, haja vista que quem precisa de auxílio, quase que sempre, está num estágio de sofrimento e dor.
Porém, há também a questão de não praticar o mal e não deixar-se vencer pela "tentação" de agir de forma impulsiva.
Além do fato de estar auxiliando outras pessoas, pesa sobre mim a convivência com um pai tóxico, alcoólatra e ignorante, onde toda a minha energia é sugada, por ter que tolerar tudo que ele faz de errado na casa: a bagunça, a sujeira, a desordem e por vezes, a incompetência de fazer algo correto.
Ao contrário da minha mãe, em que não perdíamos tempo em discutir, com ele já é bem diferente. E isso talvez esteja me fazendo mal, pois a convivência com ele é cada vez menos boa, a energia que ele traz não é das melhores e minha paciência, associada a outros fatores que contribuem para a minha falta de "equilíbrio" não tem contribuído para uma harmonização entre ambos.
E por mais que venha sinalizando o meu cansaço para as pessoas, o mundo é apático aos problemas alheios e a mim, só resta a resignação e seguir o meu caminho, como Ele quer, tentando manter a sanidade e o mínimo de equilíbrio.
¿Beijos!

#298 - Ler ou não ler: eis a questão?

 

Com a ampliação da tecnologia, numa promessa de "facilidade" para as pessoas, percebemos que a "grande massa" (no mundo) retardou em relação a capacidade de pensar, raciocinar e, inclusive, de usar o corpo para que ele foi feito (mobilidade total).

Além do sério problema que o excesso de luminosidade causa à visão das pessoa, o celular fez com que muitos perdessem a capacidade de concentração, haja vista que as redes sociais são alimentadas, cada vez mais, com conteúdos de alto impacto e com menor tempo de exibição.

Ou seja, o que antes veio para "facilitar" a vida das pessoas, hoje transformou-se numa espécie de "prisão" intelectual, onde as informações mais inúteis possíveis disputam espaço com o saber, o conhecimento, a curiosidade e muitas vezes, em meio a informações falsas e com viés provocativo para fomentar discórdia e brigas.

Por esse motivo, me impus a meta de ler, quase que diariamente, um ou mais livros, a fim de manter-me instruído e continuar com esse tão saudável hábito.

¿Abraços!