quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

#310 - E daí...!?

A noite estava quente do lado de fora, fria do lado de dentro, o salão do palácio cheio, ao ponto de não haver lugares para as pessoas sentarem. Houve quem chegasse depois do horário previsto e não tivesse conseguido o exemplar do livro que estava sendo lançado. O Palácio da Cidade recebeu pessoas e só isso basta para definir quem frequentava o ambiente. E por ser essa (pessoas) uma definição bastante ampla (contém pleonasmo), pode se imaginar que tinham pessoas de todo o tipo, apesar de grande parte estar bem trajada para o evento, que ocorreu em um "palácio".
O seminário foi bacana, o livro em si foi um grande presente, os reencontros maravilhosos mas numa rápida pausa para fazer um breve registo do local e eis que me viro para pegar de volta para mim, o meu exemplar... cadê? Simplesmente furtaram meu livro, dentro do palácio, mesmo com o meu nome e telefone na penúltima página. Fiquei em choque e falei com algumas de minhas colegas presentes, no momento do ocorrido e simplesmente: "que coisa!". Poderia ter falado em alto e bom tom, questionado sobre o desaparecimento do livro que estava numa mesa atrás de mim, e por ter uma grande quantidade de figuras femininas por perto, poderiam ter tomado alguma atitude. E daí?
Então, no ponto de ônibus, onde poderíamos nós 3 (eu e duas outras colegas) embarcar numa mesma linha, apareceu uma jovem pedindo ajuda para recarregar (automaticamente) o cartão dela, enquanto que em paralelo uma linha alternativa apareceu, servindo à primeira colega e logo atrás, a linha que servia a todos nós, mas a ajuda para uma desconhecida estava em andamento. Após a ajuda, esta (desconhecida) embarcou em seu ônibus (para outro município) e as demais colegas já haviam ido embora. E daí que alguém pediu ajuda? E daí que eu fiquei sozinho? E daí que furtaram meu livro?
A sociedade reclama da ausência do humanismo mas não percebe que essa indiferença está arraigada em cada uma de suas vidas, também. E daí?
¿Abraços!

domingo, 21 de setembro de 2025

#309 - O que define uma verdadeira amizade?

Muita gente acredita que amizade se mede pelo tempo. Mas, na prática, não é bem assim. Há colegas de anos que nunca passam da superfície e há pessoas recém-chegadas que já parecem ter um lugar reservado em nossa vida. O que separa uma amizade verdadeira de uma simples conveniência não é a quantidade de tempo, mas a qualidade da troca.

Com o tempo, aprendemos que companhia não é sinônimo de amizade. Há pessoas que só nos procuram quando precisam de algo: seja para não irem sozinhas a um evento, seja para obter uma informação, seja para aproveitar uma oportunidade que lhes beneficie. Em situações assim, a relação se revela frágil, pois a presença não nasce do cuidado, mas do interesse.

Outro ponto revelador é a reciprocidade. Uma verdadeira amizade não se limita a bons momentos, viagens ou festas. Ela se mostra quando a vida fica mais silenciosa, quando não há glamour, nem vantagens imediatas. Se alguém só aparece na celebração, mas nunca na travessia, talvez não seja amizade — apenas conveniência social.

Também é na amizade que se testa o respeito pela identidade do outro. Quando há preconceito, julgamento ou tentativa de moldar quem somos, a relação deixa de ser porto seguro e se torna um peso. Uma amizade verdadeira acolhe diferenças, sem a pretensão de mudá-las.

Por fim, há o apoio mútuo. Não precisa ser constante ou diário, mas precisa ser real. É saber que, na hora certa, a pessoa está lá — não para resolver nossos problemas, mas para caminhar ao lado, com sinceridade e lealdade.

Amizade, portanto, não é sobre estar junto o tempo todo, nem sobre colecionar contatos. É sobre confiança, autenticidade e crescimento mútuo. E, embora esteja cada vez mais raro encontrar vínculos assim, quando surgem, fazem toda a diferença.

Porque amizade de verdade não se mede em anos — mede-se em presença, em respeito e em verdade.

¿Até!

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

#308 - Notícias que não (me) convém

 

Deixa eu te contar...
E assim começa mais um capítulo de uma conversa cujo assunto não é pertinente, não envolve o transmissor da mensagem, menos ainda o receptor, mas apenas terceiros, por simples incômodo ou opinião que não levam ninguém a lugar algum.
Algumas pessoas e em especial, uma velha amiga, têm esse péssimo hábito e algumas vezes já comentei: se não te envolve direta ou indiretamente, não interessa a mim, nem a ti.
Mas a necessidade de falar das pessoas (não públicas*) é algo inacreditável, como se a vida que nos norteia não fosse de muitos desafios diários.
E com o passar do tempo, percebi que essa é uma característica predominantemente feminina, seguida dos homossexuais masculinos e uma pequena parte de homens.
E daí vem a grande questão: o que as pessoas têm a ver com o que se passa na vida de "outrem"?
Não sou psicólogo e nem faço estudos sobre as relações humanas, mas já percebi que grande parte da humanidade tem um "fetiche" em observar a vida alheia. Não a toa, o Big Brother é sucesso em várias partes do mundo, filmes pornô também, o que nos faz concluir que há um interesse "intrínseco" em querer estar no lugar do outro. E quando o comentário não é positivo, é porque a pessoa enxerga no outro defeitos que ainda não conseguiu expurgar de si.
*Pessoas Públicas = políticos que são eleitos para trabalhar para a nação. Para esse público, nos interessa a vida profissional (e parte da pessoal) a fim de que atendam os princípios de moralidade, ética e respeito com os recursos públicos, oriundos de impostos das três esferas.
¿Abraços!