domingo, 24 de março de 2013

#200 - Era uma vez, Dona Azeda!

Dona Azeda sempre foi uma pessoa de mal humor, reclama desde o preço da banana até o comportamento e gosto das pessoas. Mas também tem o seu lado bom, sempre disposta a contribuir com quantias vultosas para a igreja, pois acredita que assim estava fazendo o bem ao próximo e não aos merdas dos porteiros de seu prédio, aos mendigos que deveriam ser extintos, aos favelados que deveriam ser mortos, aos gays que se proliferam (ou saem dos armários), aos negros que vieram da África etc.
Há anos acompanhei a vida de Dona Azeda e seu hobby predileto é contrariar tudo e a todos, mesmo estando errada e prestes a cometer (mais) uma besteira. E assim o é!
Dona Azeda já foi casada, batia no marido que bebia demais, tinha defeitos demais e apontava os dos outros com uma grande facilidade. Arrumou um marido que não tem o menor respeito pela família, aliás, o único respeito que tem é pelos amigos do botequim. Arrumou porque quis, porque foi muito avisada antes. Largou o marido alcóolotra para ficar com um negão, mas não se divorciou para não ficar "feia" para a sociedade. O negão não bebia, portanto Dona Azeda não podia bater nele, mas fazia as mesmas cobranças do marido anterior: trouxe dinheiro? Qualquer pessoa se irrita com isso. E a irritação foi tanta que o negão se foi... para a terra dos pés juntos.
Mesmo "viúva", não gosta de aceitar a ajuda de ninguém por conta de seu orgulho nobre e grandioso, passando a ter razão de sobra para criticar todos que não a procuram e não a ajudam quando ela precisa.
Mas ainda tem gente disposta a ajudá-la e por conta de tão nobre ato aceitou de bom grado (e com muitas reclamações posteriores), os objetos indispensáveis ao funcionamento de uma casa.
Dona Azeda se alimenta basicamente de nicotina e só é feliz se lhe derem dinheiro, não importa de quem venha ou de onde venha.
Mas Dona Azeda não sabe administrar o que ganha e muito menos o que gasta e o resultado disso acaba sendo o saldo devedor todos os meses. Mas a solução é simples: fazer um novo (e mais um) empréstimo.
Dona Azeda não é organizada e acha frescura de quem o é. Perde documentos importantes e acha tudo uma bobagem. Quando há algum problema, ora para deus e o diabo para que a solução venha. Não importa de onde venha, o importante é chegar o quanto antes.
Dona Azeda está sempre azeda, reclamando de tudo e de todos, nunca prestando atenção em nada e recomendando psiquiatra para todos, porque todos estão loucos e ela sã.
Dona Azeda não gosta de regras e quem as segue perto dela não tem sossego até que largue todos os seus objetivos e volte a ter uma vida desregrada, pois assim ela pode criticar o que está errado e não foi corrigido porque ela não deixou.
Dona Azeda é feliz. É feliz quando todos a sua volta estão sob seu comando, assim como bois que seguem as ordens do boiadeiro. E aí que algum boi ouse desafiar as ordens de Dona Azeda. Ela também fica feliz quando alguém está em desgraça, pois é boa conselheira e vai mostrar o quanto seus alertas eram valiosos.
Com isso, Dona Azeda sempre tem razão.
¿Abraços!

Um comentário:

Yan Sun disse...

Ainda não sei bem o que dizer. Por isso vou pensar no que li enquanto escrevo o meu comentário. Excelente crítica,perfeita relação com uma realidade comum a muitos. Muito bem definida a metáfora generalizada. Também gostei da relação com os vários defeitos, tão comuns nesta sociedade globalizada.

Fiquei com vontade de dar um vista de olhos em seu blogue, por isso aguarde mais comentários meus.

Parabéns.

Connichi wa = Bom dia todo o dia.