domingo, 2 de março de 2008

#98 - Seis por Meia Dúzia.

Não sou de comentar sobre minha vida aqui, mas as vezes tenho necessidade de expôr alguns fatos que se passam comigo.
Sempre disse ser uma pessoa legal, porém não sou perfeito e estou muito longe de ter tal status. Não que eu queira, mas seria pretenção demais dizer que sou tão bom quanto "outrem".
Como dito anteriormente, me chamo Willian e sou fruto da relação entre Fernando e Nilza. Dele, aprendi algumas lições básicas de princípios, como por exemplo manter as contas sempre pagas em dia e dela (não que a mesma fosse uma caloteira), aprendi a ser ousado e sempre a querer coisas novas e um pouco mais do que o mundo tem a oferecer. Ambos têm defeitos e qualidades, pois são pessoas normais como quaisquer outras, mas vou focar somente o que propus escrever.
Crescendo, observava meus pais e tive minha mãe como um ícone. Sempre foi uma mulher ágil, destemida e ousada. Nasceu na roça, foi professora da escola em que estudou, aprendeu a costurar de forma brilhante, é ótima desenhista, sempre muito inteligente (acho que provou o contrário quando casou) e ativa, foi secretária executiva, chegou a estudar inglês no Yes, foi gerente de uma joalheria na zona sul, só andava de salto alto e numa elegância de fazer inveja aos vizinhos (que desciam e subiam a ladeira que morávamos com sapatinho baixo), enfim... Foi uma mãe dura, de poucas palavras, mas muito divertida, que apesar de dizer não gostar de festas, sempre as fez com os mais variados temas (ela propunha e nós criávamos tudo), o que não era diferente no Natal. Também era uma pessoa amável, apesar das surras que dava (eram bem dadas), mulher de pulso forte e opiniões mais ainda (típico de gente de Libra). Graças a ela, sempre tivemos um padrão de vida acima da média, pudemos (eu e minha irmã) estudar em colégio particular quando o ensino público começou a dar sinal de falência, o nosso apartamento foi comprado, reformado (sob protestos do meu pai) e até carro ela tinha e dirigia (até que meu pai descobriu que o motor do Fusca dela era possante e o trocou por outro comum).
Mau pai, apesar de ser um trabalhador (motorista de taxi) honesto e incansável, sempre foi entregue a bebida e eu assistia (feliz ou infelizmente) isso dia-após-dia. Perdi algumas noites com a minha mãe, esperando-o chegar.
Minha mãe, continuando a pensar grande, providenciou para que fóssemos para um apartamento na parte de baixo, pois já estava ficando desgastante subir e descer, além da necessidade de mais espaço, pois era um quarto para mim e minha irmã. A vida foi seguindo até que um dia minha mãe não suportou mais o desdém do meu pai com a família e resolveu sair de casa para viver com outro cara.
Via de regra, percebido por mim, todas as mulheres que se separaram ficaram melhores, não só aparentemente mas em todo o contexto. Como toda a regra tem sua excessão, minha mãe tirou a sorte grande e entrou nessa furada.
Não que o cara seja má pessoa, mas percebi que minha mãe foi ficando diferente dia-após-dia, perdendo todo o seu brilho, sua garra, tranformando-se numa pessoa medrosa (coisa que ela nunca foi), triste, amarga e sem muita vontade de prosseguir (vale lembrar que ela assistiu à morte de 4 irmãos e de seus pais - avós marvilhosos).
Tentei e ainda tento por várias vezes resgatar aquela "mulher-maravilha" que tinha dentro dela mas é complicado, principalmente quando a pessoa não quer ser ajudada.
Ver minha mãe sofrendo quietinha e murchado como uma flor que não é cuidada, se apagando aos poucos é deprimente. Fico triste diante desse quadro tão lastimável e continuo fazendo a minha parte, com incentivo, preces e mostrando que apesar de não ser o "homem" que ela quis, sou tão homem quanto qualquer um que há por ai. Do que valeu trocar seis por meia-dúzia?
¿Até!

6 comentários:

Anônimo disse...

Oi, William. Primeiro quero agradecer por não ter abandonado essa amiga ausente rs..rs..rs. Muito legal a forma com que falou de sua mãe. Acredito que o que tenha feito com que ela fique mais amarga com a vida foi assistir a morte dos irmãos e pais. Isso mexe muito com a gente. Posso falar de carteirinha de separações, pois já me separei 2 vezes e sempre tive uma melhora para melhor. Hoje em dia sou uma pessoa solitária, posso dizer amarga também e sem prespectiva para o futuro, mas vejo que isso veio com decepções com "falsos amigos" e também com a perda de meus pais. Mas ainda procuro uam saída para mim. Não desisti de vez. Beijos, Márcia.
www.conhecendomel.blig.com.br

André Hottër disse...

Linda mensagem, tenho certeza que se sua mãe chegar a ler esse texto vai ascender nela uma chama que vc tanto quer.
De fato é triste ver uma pessoa que lutou tanto, se entregar ao tempo, murchar como vc mesmo disse.
Ela ganhou na loteria tendo um filho como vc... bjks querido.

RICARDO D. SANTOS disse...

É lamentavel a triste situação de sua querida mãe, ainda mais quando empenhamos em ajudar e as pessoas parecem nao quererem ser ajudadas, sua historia é quase parecida com a do meu pai, tb cometeu certos erros e só vi ele se afundando, mas o jeito é orarmos e pedir a Deus que ilumine o caminho dela e ajude-a a progredir e claro, empenhar-se ao maximo pra tentar ajudá-la e acredito que conseguirá pois vc é um grande filho, que toda mae gostaria de ter e creio que ela futuramente verá isso, vlw... Abração!

Mans disse...

tenta reerguer o brilho da sua mãe, ainda está lá dentro dela.

Milkshake disse...

Força pra ela!
Ou melhor, como você já me disse, força é o que ela tem de sobra né???
:)

Kellen Lopes disse...

Amore, faça uma proposta pra ela, convide-a para viajar, venha pra Foz, eu dou uns passeios pra vcs :D garanto que ela vai voltar energizada, as cataratas é algo FELOMENAL!!! Beijos!